Não sei se era você, veja bem, te vejo a todos os instantes saindo e entrando de todo e qualquer lugar e nunca, nunca, é você. Às vezes são até mesmo umas pessoas bem feias e diferentes e impossíveis de te lembrar. Mas tudo lembra e assim sigo te vendo por toda parte em todos os instantes (engraçado que no dia que era você não levei susto e cheguei mesmo a pensar que você não é você, mas essa é outra história).
(...)
Segue ali um homem impune, pensei. Um cruel homem impune. Um destruidor de mundo impune, eu pensei. O cara do fogo, da chacina, da faca, da bala, da explosão, de tudo isso que também é amor quando não se sabe ou não se pode simplesmente agir amorosamente.
(...)
Você, que o mundo perdoa mas eu não, ainda que eu queira bem mais que ele. Que me causa esse ânimo desolador quando vez ou outra, do outro lado da linha, me faz ouvir mais uma vez essa coisa que me arrasa o dia e a vida mas quase se parece com alegria. Seu pigarro poderia ser o único sopro saudável que escuto quando lembro ou sinto algo.
(...)
Se o mundo for justo, se o mundo for realmente justo, um dia vou estar ocupada demais pra viver tão ofendida com pessoas que desfilam amores como se fossem sacolinhas de farmácia.
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É algo sobre atravessar e nunca sobre chegar."
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