Este mundo que insiste em inventar leis, regras, juramentos e instituições. E insiste em perder para seres apaixonados que juram, até para Deus, que nada pode ser mais sagrado do que a fidelidade aos hormônios.
Estou presa pelo prazer dele, estou derrubada pelo peso dele, estou sufocada pelo desejo dele. Não estou em mim e me abasteço de outra vida. Sou sua hospedeira e sugo dele justamente o que ele tem de mais e eu de menos: tesão por mim."
De energia presa num interesse congelado que grudei nos seus olhos, ainda me pergunto se minha clareza não te cegou.
Aqui estou eu aberta até onde se pode rasgar, exposta até onde se pode vender e insinuando até onde se pode explicitar.
Se você não puder esperar, será bem-vindo em minha ansiedade."
"...De achar que uma janela, separada do chão por uma certa altura, tem seu sentido.
Minha cabeça pede tristeza para velar o defunto, minha alma pede silêncio para viver o luto.
Meu desejo morto, assexuado, traído, quer viver de lembranças, dores e palpitações abandonadas. Mas ele, com força, movimentos persistentes e ânsia inexplicável de tantas mãos, me vence, não pelo cansaço, mas por morte: ele enterra o meu eu apaixonado e faz renascer alguém limpa e virgem de defesas.
Eu te quero branca e você está negra. Eu te quero inteira e você está esmiuçada em pedaços de amor quebrado. Eu te quero vem, vem, vem e você está tão vai, vai, vai. É o que ele me diz sem dizer, porque ele não diz nada para ter mais tempo de fazer. É o que ele me pede sem pedir, porque se ele pedisse dava tempo de eu fugir.Estou presa pelo prazer dele, estou derrubada pelo peso dele, estou sufocada pelo desejo dele. Não estou em mim e me abasteço de outra vida. Sou sua hospedeira e sugo dele justamente o que ele tem de mais e eu de menos: tesão por mim."
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